A importância da comunicação no casal: 3 dicas para melhorar

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Ele está na sala assistindo futebol. Ela no quarto chorando baixinho e pensando “Ele não me deseja mais”. Termina o jogo, ele vai pra cama e ela enxuga as lágrimas rapidamente e finge estar dormindo. No dia seguinte ela acorda mal humorada e continua pensando “Será que ele não percebe que nosso casamento está assim? Será que ele não sente falta de mim? Ele está fingindo que não percebe para evitar uma briga, mas com certeza ele percebeu”. Ele levanta, toma o café da manhã em silêncio e repassa mentalmente as tarefas do escritório, quando termina, dá um beijo na esposa e vai trabalhar. Ela também sai para o trabalho, mas nem consegue se concentrar direito, chora no banheiro, liga para a melhor amiga, conta o que está acontecendo, pensa que está feia, velha, gorda e por isso ele não a percebe mais.

Vocês devem conhecer algumas histórias iguais a essa ou muito semelhantes. Esta é só para exemplificar um problema que reside em muitos casamentos e relacionamentos por aí, a falta de capacidade do casal em se comunicar e expressar sentimentos de forma clara. Muitos dos problemas conjugais têm origem nos déficits interpessoais, principalmente nas relações amorosas entre homens e mulheres.

A psicologia evolucionista nos explica que apesar de homens e mulheres pertencerem a mesma espécie, seus cérebros e seus papeis sociais são bem diferentes, o que faz com que pensem e se comportem de forma muito distinta (em muitas vezes opostas). Allan e Barbara Pease, autores do livro “Porque os homens mentem e as mulheres choram?” explicam de forma divertida essas diferenças de gêneros. No passado, desde a época das cavernas as mulheres sempre foram responsáveis pela criação dos filhos. A habilidade em perceber o que eles estavam sentido e captar possíveis perigos que ameaçassem seu lar era fundamental. O homem por sua vez, era responsável por caçar e proteger sua família. Portanto a habilidade em perceber e expressar sentimentos, bem como “ligar o radar” para o que acontece ao seu redor foi muito mais desenvolvida na mulher. Por outro lado a força física, habilidade em se arriscar para proteger a família e objetividade foi mais desenvolvida nos homens.

Como não estamos mais na época das cavernas, os seres humanos evoluíram e os conceitos e papéis sociais mudaram. Ambos os sexos precisam se adaptar à realidade e aprender novas habilidades para tornar a convivência a mais sadia possível. A ideia da mulher que deve trabalhar fora e “caçar sua própria comida” e homens que cuidam da casa, dos filhos e discutem a relação é relativamente nova e ainda gera muitos conflitos.

Abaixo, listei algumas características importantes para uma boa comunicação do casal:

  • Empatia: Capacidade de perceber o sentimento da outra pessoa e expressar compreensão.

Isso é fundamental para qualquer relacionamento. Numa relação conjugal então, nem se fala! A empatia não se refere a tentar adivinhar o que o outro está pensando ou sentindo, mas sim, através de um diálogo sincero, mostrar ao outro que se importa com os seus sentimentos. Por exemplo: A mulher conta para o marido que perdeu o emprego e demonstra grande chateação. O marido muitas vezes com a melhor intenção de ajudar, mas nenhuma empatia diz: “Não fique assim, logo você consegue outro emprego”. Será que é isso que uma pessoa chateada gostaria de ouvir? Antes de dar qualquer conselho, pense: “E se fosse comigo?”. Se esse homem tivesse pensado, provavelmente falaria outra coisa, como: “Que pena que isso aconteceu, fiquei triste por isso. O que eu posso fazer para você se sentir melhor?” ou “Imagino como se sente, eu estaria chateado também. Quer sair um pouco para se distrair?”.

Percebam como a situação muda, como a segunda fala mostra mais compreensão e carinho.

  • Respeito e Carinho:

Coloquei esse item separado para enfatizar, mas na verdade caminha junto com o primeiro. Quando agimos com empatia, fica muito mais fácil expressar respeito e carinho pelo outro, pois fazemos por ele somente o que queremos para nós.

Além disso, a falta ou a falha na comunicação pode afetar inclusive o afeto do casal e demonstrações de respeito e de carinho.

Sabem a história no começo do texto? As conclusões que a mulher tirou a respeito do marido e a sua consequente chateação poderia fazer com que ela se afastasse dele, ou começasse a tratá-lo de forma ríspida. Ele provavelmente não entenderia o motivo e faria mais interpretações erradas. Tudo isso porque ninguém foi claro e sincero o suficiente.

  • Sinceridade, Clareza e Objetividade
    Essas três palavras foram citadas no mesmo tópico, pois quando estão combinados com a Empatia formam a chamada Assertividade.

Quando se trata de um relacionamento amoroso, não existe ninguém que pense e sinta 100% a mesma coisa que o outro. Mesmo quando há muita sintonia, muitos interesses e valores comuns, as pessoas ainda são diferentes. Muitos têm a tendência de achar que o outro é capaz de adivinhar seus pensamentos ou que o outro deve percebê-los nas entrelinhas, através de indiretas, olhares e expressões faciais, porém isso pode gerar mal entendidos que abalam muito a relação.

Quando somos sinceros com nossos próprios sentimentos e conseguimos expressá-los de forma clara e objetiva, a possibilidade de ser compreendido é muito maior.

Além disso, não basta somente falar o que sentimos, também precisamos expressar o que esperamos da outra pessoa. Imagine que no trabalho o seu chefe te chame para conversar e aponta todos os seus erros. Se ele não disser o que espera de você, você se sentirá chateado e perdido, sem saber como agir para agradar. É a mesma coisa nos relacionamentos.

Para concluir, gostaria que refletisse como está a sua habilidade em se comunicar e expressar seus sentimentos. Às vezes culpamos o outro por não nos compreender, mas nós mesmos temos responsabilidade por isso. Manter um relacionamento amoroso não é tão simples, vai além do amor, além do “querer estar junto”. É preciso maturidade para assumir suas falhas e disposição para corrigi-las.

“Não é o amor que sustenta o relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor”.

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